07/05/12 | 21:04
V JOGOS INDÍGENAS DA COMUNIDADE NOVA ESPERANÇA

Um final de semana bastante agitado na zona Ribeirinha de Manaus, graças à realização do V Jogos Indígenas da Comunidade Nova Esperança do Rio Cuieiras. Mais de 150 indígenas disputaram, no último sábado, (05), nas categorias infantil, juvenil e adulto nas modalidades tradicionais como arco e flecha, zarawatana, dança, corrida, natação, canoagem e arremesso de lança. Já no domingo, (06), aconteceu a disputa na modalidade futebol nos naipes masculino e feminino. Segundo os coordenadores do evento essa é a competição mais esperada pelos moradores das adjacências.

Foram dois dias de competições esportivas destinadas aos atletas das comunidades indígenas São Tomé, Boa Esperança, Barreirinha, Reino Unido, Três Unidos, Terra Preta, Kuanã e também outras quatro comunidades não indígenas que prestigiaram o evento.

Quem saiu satisfeito com o primeiro dia de jogos foi o assessor pedagógico Raimundo Cristiano Belém, da Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI) da Semed, que foi conferir de perto as atividades esportivas destinadas às etnias locais como kambeba, tukano, karapana, baré e sateré-mawe.

“Viemos prestigiar a primeira competição que reúne todas as etnias e sabemos da grande importância da secretaria em difundir a cultura indígena por meio do esporte. Para que eles pudessem realizar a quinta edição dos jogos a Semed doou troféus e medalhas à comunidade Nova Esperança. O importante é que eles deram o pontapé inicial para que os jogos acontecessem e a nossa meta é apoiar todas as ações voltadas para este segmento e, talvez, no futuro realizar a primeira Olimpíada Indígena do Amazonas. Temos um projeto pronto o que falta é a liberação dos recursos que são um pouco elevados. Mas acreditamos que isso seja possível, e vamos ficar no aguardo com grandes expectativas que o projeto seja aprovado”, enfatizou Cristiano.

Após a solenidade de abertura, os atletas se dirigiram até a beira do rio e se prepararam para disputar a primeira medalha na modalidade canoagem. O diferencial que nesta prova somente os homens podem participar e é vetada a participação de mulheres.

Durante a prova, o domínio ficou por conta da comunidade da Terra Preta, que levou duas medalhas de ouro nas categorias infantil e juvenil, e uma medalha de bronze no adulto. Já a comunidade Nova Esperança – que foi a anfitriã dos jogos -, levou uma medalha de ouro na categoria adulto e uma prata no juvenil. A disputa mais esperada foi na categoria infantil porque os pais foram torcer de perto pela vitória de seus pupilos. O resultado final ficou assim: ouro para a comunidade Terra Preta; prata para Três Unidos e bronze para os Kuanãs. No final todos saíram contentes com o resultado e acima de tudo levaram para suas comunidades troféus e medalhas como prêmios.

Depois de muita canoagem foi a vez dos atletas entrarem no rio e disputarem as primeiras colocações na natação. A participação dos atletas foi um pouco tímida, mas mesmo assim eles mostraram que são os verdadeiros guerreiros das águas. Além dos homens as mulheres também marcaram presença e brigaram por uma medalha. O importante que ninguém ficou de fora e todos puderam participar das competições.

Das águas para a terra firme

Uma das provas mais cobiçadas e equilibradas da competição foi o arco e flecha. Jovens e adultos tinham como meta atingir o alvo.

No decorrer do dia muitas provas foram realizadas e grandes campeões surgiram durante os jogos. “Serão dois jogos de pura integração e troca de experiências entre as comunidades e esperamos para o próximo ano realizar um evento maior. Sem a ajuda do Secretário Mauro Lippi seria inviável a realização dos jogos pela valorização do índio e sua cultura”, afirmou Joalison Garrido, Coordenador dos jogos.

Pela noite foi a vez das comunidades indígenas levarem suas danças típicas e as índias apresentaram seus trabalhos aos participantes dos jogos.

Segundo a Gerente da Educação Escolar Indígena da Semed, Socorro Lima, este encontro serviu como troca de experiências e de integração. “É um momento que devemos comemorar. Uma riqueza que não se pode deixar perder. Aqui eles terão a oportunidade de conversar com as outras etnias e propor ações que possam ser viabilizadas às comunidades. Os jogos são vistos como um momento de encontro e não uma competição entre si”, comentou Lima.

As pessoas que foram prestigiar o evento se depararam com uma exposição de produtos artesanais, roupas indígenas, comidas, dentre outras atrações locais.

No final das competições os primeiros colocados receberão troféus. Os segundos e terceiros colocados somente medalhas. A comunidade anfitriã – Nova Esperança -, receberá um troféu por ser sede dos jogos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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