20/03/14 | 16:10
Semed realiza programa de reabilitação inédito no país para crianças com problemas de surdez

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) realiza um programa inédito no Brasil que promove a reabilitação auditiva de alunos da rede municipal de ensino e de crianças da comunidade em geral. O programa é realizado por meio da Gerência de Educação Especial (GEE) e também orienta os professores sobre mecanismos de atuação nas salas de aula onde há estudantes que receberam o implante coclear. A orientação estende-se também aos pais sobre como darem continuidade ao processo de educação dentro de casa.

O Programa de Reabilitação de Implante Coclear (PIC) atende 16 crianças, sendo 12 alunos inclusos no ensino regular do município e quatro que não estão ligados à rede. O trabalho inovador garante um suporte às crianças no período pós-implante, dentro do contexto da fonoaudiologia educacional, que auxilia o aluno a desenvolver e compreender a fala.

Em abril deste ano, a Semed comemora um ano da implantação do programa piloto de reabilitação. Aos professores são repassadas orientações quanto às estratégias em sala de aula para alunos usuários do dispositivo e outras dúvidas em geral também são esclarecidas. Outra meta do projeto é dar suporte psicopedagógico para as atividades de escrita e alfabetização.

Desenvolvido no Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal Araújo da Semed, localizado na Vila Amazonas, Parque Dez, zona Centro-Sul da capital, o programa conta com uma equipe de profissionais especializados, composta pela fonoaudióloga Mariana Pedrett, a psicóloga Erika Simões e a pedagoga Ana Cristina Batista.

Os atendimentos do PIC ocorrem em grupo todas às quartas-feiras e, para as crianças que necessitam de atendimento especial, há acompanhamento individual ao longo da semana. As atividades ocorrem a partir das 14h, com crianças na faixa-etária de sete a 13 anos, depois são atendidas as de três e quatro anos.

Comportamento

Prematura de cinco meses, Rebeca Vitória Batista, 7, aluna do 2º ano matutino da Escola Municipal Pequeno Príncipe, no bairro São José 1, zona Leste, é umas das crianças que, ao participar do programa de reabilitação, já apresenta  grande evolução no entendimento e na fala. A mãe da menina, Leandra Oliveira Batista, 32, explica que ela fez o implante coclear do lado esquerdo em 2011. No ouvido direito, Rebeca tem uma audição moderada e precisa usar o aparelho amplificador sonoro.

Satisfeita com a evolução, comportamento e linguagem da filha, a mãe comemora os benefícios e afirma que o programa veio para atender a necessidade de continuidade do pós-implante, o que não existe em nenhum lugar do País.

“O projeto tem sido bom para ela, pois antes só ficávamos em casa e ela não tinha o convívio com outras crianças que têm o mesmo problema. Minha filha está evoluindo porque ela percebe que existem outras crianças na mesma situação. Participando do programa, ela se sente feliz ao ver outras meninas usando o mesmo aparelho que ela usa. Com certeza, ela se desenvolve mais convivendo nesse ambiente”, concluiu a mãe, lembrando que o grupo multidisciplinar orienta ainda sobre como deve ser o procedimento em casa.

Outra criança beneficiada do programa, Yamille Victoria Jacauna de Lima, 8, nasceu com problema de surdez profunda e já participa do projeto há um ano. A mãe dela, a nutricionista Arléia Pontes Jacauna, 41, contou que a filha implantou o aparelho nos dois lados do ouvido. Segundo a mãe, que acompanha a criança durante as atividades do PIC, a criança já fala algumas palavras e mostra evolução no comportamento. “A Yamille, depois que começou a fazer sua reabilitação no projeto, melhorou muito em tudo. Ela consegue acompanhar as outras crianças na escola, consegue executar as atividades do dia a dia em casa, ajuda a irmã em casa. Aliás, antes do projeto, minha filha era uma criança imperativa. Ela não tinha paciência com nada. Eu falava, ela não obedecia, mas hoje é outra criança”.

Segundo a mãe, a própria relação com as outras crianças também melhorou. “Ela consegue brincar em grupo, ter bom comportamento nos lugares e percebo que ela está muito bem, apesar do pouco tempo que fez o implante. E sei que ela vai poder encarar a sociedade com uma estrutura melhor a partir do aprendizado aqui”, completou.

Importância da reabilitação

Um dos pré-requisitos para que a cirurgia seja realizada é o acompanhamento fonoaudiológico (reabilitação auditiva). As crianças realizavam a cirurgia pelo SUS em outros Estados e antes do programa, quando retornavam à Manaus, a maior parte dos implantados não fazia acompanhamento terapêutico. Por consequência, apresentavam dificuldades sérias quanto à alfabetização, uma vez que os professores, por falta de orientação, acreditavam que o implante coclear (IC) fazia a criança “ouvir” de imediato, o que não é verdade. O IC é um recurso significativo, contudo, sozinho, não é capaz de promover aquisição e compreensão da fala.

Texto: Paulo Rogério Veiga

Fotos: Rodemarques Abreu/Semed

Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação (Semed): 3632-2054