16/11/11 | 11:17
Semed participa de expedição científica à aldeia indígena

Uma expedição composta por professores da Semed, pesquisadores da (UEA), Museu da Amazônia (Musa), estudantes das etnias tikuna, kokama, sateré e também pelo diretor da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildeu de Castro Moreira, visitou a aldeia indígena São João, na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (a 25 km de Manaus). O objetivo é apresentar estudos voltados às variações climáticas que acontecem em nossa região sob a ótica indígena e ofertar o conhecimento científico no que tange ao conhecimento do universo, as galáxias entre outros.

De acordo com o pesquisador Germano Afonso, que trabalha há mais de 20 anos catalogando informações das constelações das tribos indígenas tukano, guarani e do Alto rio Negro, este encontro servirá para apresentar novos estudos voltados às questões climáticas e também a troca de experiências entre o homem branco e os índios das comunidades visitadas.

Para ele, os alunos da aldeia indígena Dessana têm muito a aprender  com os cientistas, inclusive acerca dos seus ancestrais, que são estudados até os dias atuais. Dessa forma, o astrônomo unirá o conhecimento empírico, mitológico e o científico, exatamente o que buscam os povos indígenas, ou seja, fazer uma interlocução de conhecimentos para que, no futuro tenha o registro destes saberes.

Nesta visita, o pesquisador mostrou os estudos por ele desenvolvidos em relação às constelações, e afirma que em sua pesquisa aparecem bichos simbolizando cada fase do ano. Quando estes bichos aparecem nas constelações é sinal que aquela região irá sofrer alguma modificação climática, ou mudanças na flora e fauna da Amazônica. Segundo Raimundo Dessana, o clima está mudando e as pessoas não estão se preocupando com isso. “Tudo está diferente. Antes sabíamos quando o rio ia secar, agora não temos mais como prever estas situações”, afirma Dessana.

Representante da Gerência de Educação Indígena da Semed, Socorro Lima, há uma grande importância das parcerias indígenas e indigenistas no âmbito do ensino que traz a esse momento atual, no qual se reúnem a Semed e o Musa para iniciar a apresentação do planetário indígena. “Esta ação visa na valorização dos saberes da cultura indígena e a aproximação dos saberes entre os povos que possuem conhecimentos distintos”, diz.

Na oca Dessana Saberes do Universo, além da apresentação da dança e do grupo tikuna com o teatrinho da bebida sagrada do Paiyuarus, alguns experimentos foram apresentados aos visitantes como o aparelho que mede a emissão de gás carbônico chamado de “Anemômetro Sônico”. Foi uma verdadeira aula de educação ambiental que os índios da comunidade desconheciam. Essa apresentação só vem para despertar o interesse dos alunos em relação ao campo científico e estimulá-los em busca de novos conhecimentos.

Outro experimento foi em relação à medição do PH da água do Rio Negro realizada pelos cientistas, mostrando aos alunos como está a qualidade da água que eles utilizam diariamente.

Para o Subsecretário de Gestão Educacional, Suames Maciel, este encontro foi um ponto positivo para os alunos e comunidade indígena. “Essa troca de experiência é válida porque os alunos conseguem fazer distinção do que é o conhecimento científico e o que é o conhecimento empírico”, comenta.

 

Aldeia Indígena

Os Dessanos vivem nesta região há várias décadas. Segundo o Pajé, Raimundo Dessana, eles sobrevivem basicamente do artesanato e da apresentação dos rituais. Para chegar até a comunidade é preciso fazer uma viagem de barco com duração de uma hora e meia. Na comunidade vivem cerca de 90 pessoas, entre familiares e de outras etnias como os tucanos, piratapuia, wanano e barasana.

Para o Pajé a cultura indígena deve ser conservada. “As crianças não devem esquecer sua cultura e é na comunidade que eles aprendem o verdadeiro sentido de sua origem e existência. Ao mesmo tempo em que a gente ensina a gente também aprende”, comenta.