30/06/16 | 12:55
Professores indígenas são homenageados pelos serviços prestados à Semed
_MG_4369Como uma maneira de reconhecer os serviços prestados por 18 professores indígenas que tiveram seus contratos encerrados, a Secretaria Municipal de Educação (Semed), por intermédio da Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI), promoveu, na manhã desta quinta-feira, 30, um café da manhã e entregou um certificado de honra ao mérito a esses profissionais que nos últimos quatro anos se esmeraram para preservar a língua materna e a cultura de cerca de 700 alunos indígenas matriculados na rede municipal de ensino.
Os 18 professores atuaram de 2012 a 2016 em quatro escolas indígenas e 18 espaços culturais. Eles estão sendo substituídos por 30 profissionais que foram selecionados por meio do processo seletivo realizado em março deste ano.
A ideia da confraternização, segundo o gerente do GEEI, Rossini Maduro, partiu como uma forma de reunir os professores para uma despedida oficial e que eles mesmos pudessem dar as boas vindas aos novatos, que também participaram do evento. “É um reconhecimento aos professores indígenas pela prestação do serviço deles ao longo desses últimos quatro anos. Como hoje está encerrando esse contrato, fizemos essa homenagem justa a eles”, disse._MG_4385
De pai para filha
Osmar Batista, 58, dedicou os últimos quatro anos de sua vida a ensinar a língua Apurinã para 20 alunos do Espaço Cultural Amarini Arutã, no bairro do Mauazinho. Ele nasceu numa aldeia indígena em Tapauã (distante 565 km de Manaus) e nunca deixou de falar a língua materna. Orgulhoso de suas raízes, ele não somente ensinou aos seus alunos esta linguagem como montou, em parceria com a GEEI, um alfabeto e um dicionário Apurinã.
“Eu ensinei muitas coisas para os alunos. Começamos pelo bom dia, pelo oi, pelo tchau, falamos também de música e comida. Hoje, a maioria deles já saiu de lá, estão fazendo faculdade. Eu fico muito feliz com isso”, disse Osmar que será substituído pela filha Jéssica, de 23 anos._MG_4403
“Substituir meu pai é uma honra porque querendo ou não ser professor de uma comunidade é algo muito importante. A minha ideia é dar continuidade ao projeto. Nesse ano, vamos atuar para aumentar o dicionário porque a língua identifica nossa essência de indígena e por meio dela podemos resgatar as histórias, os rituais e toda a cultura”, falou Jéssica que também é estudante do 5º período de Direito na Universidade Estadual do Amazonas (UEA).
Cooperação
 A diretora do Departamento de Gestão Educacional da Semed, Marcionília Bessa, participou da homenagem e destacou a cultura de cooperação que eles têm visto e que todos passaram nos últimos seis meses ensinando o trabalho para os professores que os substituirão.
“Esse reconhecimento é merecido, considerando todo o trabalho que esses professores desenvolveram. O mais interessante de tudo isso é que eles ficaram ainda para treinar os novatos. Nos últimos seis meses, eles ficaram repassando todo o saber, toda a experiência deles com os que estão entrando agora. Eu vejo que todo esse gesto é de considerável importância”, observou.
Texto: Thiago Botelho
Fotos: Lton Santos

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