14/11/14 | 14:43
Professores de escolas indígenas apresentam experiências de sucesso no processo de ensino-aprendizagem

Os professores que atuam em escolas indígenas da rede municipal de Manaus estão compartilhando experiências que trouxeram melhorias ao processo de ensino-aprendizagem nas instituições de ensino em que atuam. O encontro segue até esta sexta-feira, 14, com a participação de 23 professores da área ribeirinha.
A VII Mostra de Trabalhos Pedagógicos dos Professores Indígenas do Município de Manaus reúne as atividades pedagógicas desenvolvidas durante o ano letivo de 2014 e é realizada na Escola Municipal Indígena Kunyatá Tapupira, antiga Escola Municipal São Thomé, localizado na comunidade São Thomé, no Rio Negro. O encontro é promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), por meio da Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI).
A subsecretária de gestão educacional da Semed, Ana Falcão, disse que a mostra pedagógica é o momento que os professores da educação indígena têm para trocar ideias que possam resultar na melhoria da educação.
“Este é um momento que permite aos professores socializarem suas experiências e aprender coletivamente, fortalecendo a prática pedagógica e adquirindo mais informações. Trabalhar com a educação indígena é como se fosse trabalhar com vários países, pois cada etnia tem sua língua materna e aqui a gente vê o esforço que o professor tem para atender esse desafio, percebemos um compromisso, uma responsabilidade dos docentes. Aqui é o momento da troca de experiências, de aprendizagem que possam ser colocadas no dia a dia e ajude a melhorar a qualidade de ensino para nossas crianças”, informou.
Os 23 professores apresentaram seus projetos. De acordo com a professora Meire Lane Araújo, gerente da GEEI, os temas escolhidos pelos professores são ligados a cultura de cada comunidade e  trabalhados com todo o povoado.
“Os professores das escolas escolhem um tema ligado a sua cultura e este tema é desenvolvido na comunidade pelo próprio professor, pelos mais velhos e pelos caciques, de forma participativa. O resultado deste trabalho realizado durante todo o ano letivo é a Mostra Pedagógica, que é a culminância desses projetos. Os professores mostram como o projeto foi desenvolvido, a metodologia  usada, as dificuldades encontradas e junto com os outros professores eles socializam esses projetos, criando novas alternativas pedagógicas para a continuidade desse trabalho”, explicou.
Um dos principais objetivos da educação indígena é resgatar a língua materna dos indígenas, os dialetos criados por cada comunidade que passa a cada geração. Esse conhecimento foi tratado como fundamental pelo gestor Raimundo Kambeba, da Escola Municipal Indígena Kanata T-Ykua, localizada Rio Cuieiras.
“Trabalhamos os grandes conhecimentos tradicionais dos povos como alfabetizar em língua indígena e atuar pedagogicamente outros temas que existem na língua indígena. Há, ainda, a experiência de trabalhar as duas línguas, a indígena e o português. Esses conhecimentos adquiridos aqui nos ajudam a escolher outros temas para o próximo ano. Aprendemos culturas diferentes com as apresentações dos outros professores, o que acaba somando ao nosso conhecimento para trabalharmos tanto nas comunidades indígenas quanto nos espaços culturais existentes em Manaus”, relatou Kambeba.

 

Instituto Ayrton Senna
A Semed está em fase de formalização de parceria com o Instituto Ayrton Senna, que visa a correção do fluxo escolar e a alfabetização na idade certa. A coordenadora de educação do instituto, Inês Kisil Miskalo, esteve presente no encontro e informou que a intenção do Instituto é trabalhar com todas as escolas da rede municipal de ensino.

 

“As comunidades indígenas estão inseridas na Semed, assim passam a ser envolvidas com o nosso trabalho, que tem o foco na alfabetização dos anos iniciais. Será um trabalho gradativo. Vamos trabalhar a correção do fluxo escolar, que é uma das metas do Plano Nacional de Educação, e a alfabetização na idade certa, que vai ser trabalhada pela Semed com o nosso apoio. A perspectiva é que possamos resolver o problema de distorção para que os alunos concluam o estudo com conhecimento, para que essas crianças indígenas também tenham oportunidades no futuro”, finalizou Miskalo.

TEXTO: João Pedro Figueiredo

FOTOS: Rodemarques Abreu/Semed

Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação (Semed): 92 3632-2054