31/08/16 | 15:54
Prioridades e ações para a melhoria da educação indígena são pautas em fórum

Lton Santos - Educação Indígena(1)A educação indígena em Manaus foi o foco das discussões, nesta quarta-feira, 31, em um fórum que reuniu 32 professores do município que atuam nas unidades de ensino indígenas e espaços culturais indígenas, além de outros profissionais. O objetivo é ampliar a discussão acerca do atual contexto da educação escolar indígena no município de Manaus visando elencar prioridades e necessidades de melhoria nas ações desenvolvidas.

O encontro, realizado no auditório da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério (DDPM) da Secretaria Municipal de Educação (Semed), também comemora os mais de dez anos da educação escolar indígena.

Participaram dos debates do I Fórum Municipal de Educação Escolar Indígena, a secretária municipal de educação, Kátia Schweickardt, o gerente da Educação Indígena da Semed, Rossini Maduro, o diretor-presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), Raimundo Nonato, o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Edivaldo Oliveira, e o representante dos professores indígenas da Semed, Raimundo Cruz.

01-09-16-Forum de Educação Índigena.Fotos Altemar AlcantaraO evento contou ainda com a presença de lideranças, comunitários, representantes dos principais órgãos indígenas e indigenistas que atuam junto às comunidades indígenas de Manaus, representantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), da Pastoral Indigenista, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia).

A secretária municipal de educação, Kátia Schweickardt, ressaltou o trabalho realizado pela Semed neste seguimento, que tem alcançado resultados positivos.

“Temos quatro escolas indígenas e atuamos com mais de 22 etnias nessas comunidades. Temos conseguido fortalecer muito o compromisso com essas adversidades e hoje estamos atendendo mais de 600 alunos indígenas no Rio Negro e Cuieiras. Realizamos um processo seletivo próprio para professores indígenas, que sejam fluentes na língua mãe”, explicou.

01-09-16-Forum de Educação Índigena. Fotos Altemar Alcantara

01-09-16-Forum de Educação Índigena.
Fotos Altemar Alcantara

Ela também destacou que, além das escolas indígenas, a Semed possui 18 centros culturais em Manaus e comunidades indígenas, que servem para o fortalecimento da cultura, resgatando parte do idioma, costumes, culinária, o próprio modo de lidar com a saúde (medicina tradicional) dessas populações.

Para o gerente da Educação Escolar Indígena da Semed, Rossini Maduro, o evento serve como uma espécie de avaliação do trabalho da secretaria nesta área ao longo dos dez anos de atendimento diferenciado.

O fórum é para avaliar como está sendo realizado esse trabalho, para ouvir as comunidades indígenas, as lideranças, os professores, para que eles possam expressar suas opiniões. Esse momento é para pensar, fazer uma avaliação do trabalho para se propor alternativas e valorizar o que está dando certo”, explicou, lembrando ainda que, ao final do evento, um documento será elaborado com as impressões dos participantes sobre a temática.

A Semed criou, em sua estrutura administrativa, por meio do decreto nº 8.396/2006, o Núcleo de Educação Escolar Indígena (NEEI), que em 2009, por meio do decreto nº 90/2009, passou a ser denominado de Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI). Por meio de um terceiro decreto municipal 1.394/2011, foi estabelecido a criação e o funcionamento de escolas indígenas e o reconhecimento da categoria de professores indígenas no sistema de ensino municipal de Manaus.

Discussões

Lton Santos - Educação Indígena(2)Um dos palestrantes da programação, o sociólogo, indigenista e coordenador geral do serviço de Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya), Silvio Cavuscens, explicou sobre seu tema “Políticas públicas e educação escolar indígena” para os educadores. Ele disse que é necessário buscar uma educação libertadora e que favoreça a cidadania, o reconhecimento e a autonomia desses povos.

“Temos que buscar essa forma e simbiose de fazer com que os novos conhecimentos não acabem com os saberes tradicionais dos povos indígenas. Como implantar uma escola que seja de fato diferenciada, respeitando a cultura, costume, mas também estabelecendo um diálogo da interculturalidade entre a sociedade nacional e a cultura dos povos indígenas”, argumentou.

Para a diretora, Gessiane Garrido, da Escola Indígena Municipal Puranga Pisasú, na comunidade indígena Nova Esperança, no Rio Negro e que atende 80 alunos, da educação infantil e de 1º ao 9º ano, o evento trouxe importantes discussões e informações para os participantes.

“Esse momento foi muito bom para trocar ideias, aprender com os colegas, além de ser um intercâmbio para todos nós. Aprendi muito e vou passar essa experiência para os colegas da escola”, garantiu.