15/04/11 | 17:18
PMM oferece educação a 275 indígenas

Prefeitura Municipal de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) oferece a inclusão à educação para índios que moram nas áreas urbana e rural da capital.

O dia do índio é comemorado em 19 de abril, mas para a Secretaria Municipal de Educação (Semed) a dedicação a este povo se estende por todos os dias do ano. Em meio a dificuldades de locomoção e distância, atualmente, 275 índios de variadas etnias tem acesso à educação em escolas da prefeitura nas áreas urbana e rural da cidade.

As aulas acontecem em seis diferentes comunidades, muitas delas onde só é possível chegar de barco.  Os conteúdos são ministrados na língua nativa dos alunos como: Sateré, Tikuna e Nhengatu. Os professores precisam ser indígenas e ter o aval dos moradores das aldeias para lecionar. As matérias da grade são as mesmas do ensino regular, no entanto, são trabalhadas de forma bilíngüe e interdisciplinar, inserindo técnicas de conhecimento da natureza dentro das disciplinas.

“Trabalhamos o resgate da cultura trazendo os índios mais idosos para ensinar as histórias da nossa etnia para os alunos. Também usamos pintura, painéis e imagens para trabalhar história, geografia, ciências e língua portuguesa”, disse o professor Aldenor Félix, da etnia Tikuna.

Segunda a Chefe da Gerencia de Educação Escolar Indígena da Semed, Socorro Lima, por meio da Lei da Educação Escolar Indígena de 1999, foram construídas diretrizes nacionais para este tipo de educação, mas a proposta curricular da educação indígena em Manaus é feita dentro da perspectiva de cada povo.

“A Semed trabalha junto às comunidades a construção da proposta pedagógica de cada grupo, já que, as etnias têm visões sociais e de construção do homem diferentes”, disse.

Aula

Em uma sala pequena na sede do Centro Cultural Tikuna, no Bairro Cidade de Deus, na Zona Leste de Manaus, cerca de 40 alunos assistem diariamente às aulas em dois turnos. As turmas são divididas por idade. Na aula em que acompanhamos os alunos aprenderam por meio de música a falar e escrever o nome das frutas na língua Tikuna, como papaya que quer dizer mamão.

Grande parte dos alunos indígenas estudam em escolar regular em um turno e no outro freqüentam a escola indígena.

“Eu gosto de estudar aqui. Aprendi a ler e escrever na minha língua”, disse Natália Pereira, 12, da etnia Tikuna.

Vitória

Um grande passo para a melhoria na educação indígena em Manaus foi dado na ultima terça-feira (12) quando o Conselho Municipal de Educação (CME) discutiu e aprovou a proposta de regularização da categoria escola e professor indígena na cidade. O projeto foi enviado à Procuradoria Geral do Município (PGM) para ser legalizado.

“A Defesa Civil já havia atestado a aptidão de nossos professores, mas ainda não tinha sido envido ao CME para ser aprovado. Isso é uma vitoria porque agora poderemos realizar processo seletivo e começar a trabalhar o concurso público. Nosso primeiro desafio foi conseguido que é dar andamento no documento de legalização, agora o segundo é organizar a formação do professor indígena e construir escolas indígenas” ressaltou Socorro Lima.