30/04/15 | 14:20
Diversidade é tema de debate entre assessores da Semed

Com a proposta de ampliar o tema “Diversidade nas escolas municipais de Manaus”, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizou, na manhã desta quinta-feira, 30, o primeiro encontro do ano com os assessores das Divisões Distritais Zonais (DDZs), no auditório da Semed, localizado no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul. O tema atende a Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino sobre cultura e história afro-brasileiras nas escolas públicas e privadas da educação básica do país.

A chefe da DEF, Esther de Souza, informou que o encontro servirá para apresentar orientações pedagógicas de 2015 aos assessores das DDZs que serão multiplicadores do assunto nas 506 escolas do município. Ela explicou que a Semed trabalha a diversidade como proposta pedagógica no currículo escolar desde 2007, mas o assunto ganhou força, notoriedade e mais adesão de toda a rede em 2013.

“A diversidade não é uma proposta isolada da secretaria e sim uma determinação nacional. Temos dispositivos legais que cobram isso. Somos cobrados pelo Ministério Público. Por isso, dispomos de uma ampla estrutura para trabalhar a proposta curricular e dentro da DDPM (Divisão de Desempenho Profissional do Magistério), Dage (Divisão de Apoio à Gestão Escolar) e  Divisão de Educação Infantil”, explicou.

Esther esclareceu, ainda, que a diversidade é trabalhada diretamente em arte, história e língua portuguesa e nas demais disciplinas é abordado de forma transversal. “As escolas são orientandas a trabalhar o tema durante todo o ano letivo e em todas as disciplinas e não apenas no dia 20 de novembro, que é o Dia Nacional da Consciência Negra”, reiterou.

Pioneirismo

A coordenadora da Diversidade da Semed, Lídia Helena Mendes, informou que a Semed é pioneira e a primeira instituição pública de ensino do País a dispor de uma estrutura consolidada para trabalhar o tema dentro das escolas. Ela afirmou que apesar do esforço, ainda, há professores que resistem ao tema por falta de conhecimento.

“Por isso, fazemos formações com os assessores das DDZs que irão ser nossos multiplicadores nas escolas. É importante conhecer a Lei e repassar esse conhecimento aos nossos pedagogos, professores, gestores e alunos. Afinal, a transformação do ser humano na aceitação das diferenças começa na educação básica. É necessário ter toda essa estrutura que a Semed já disponibiliza para transformarmos a nossa sociedade. Não podemos mais admitir a falta de conhecimento”, defendeu.

Lídia informou que trabalhar a diversidade é promover a transformação da sociedade, o desenvolvimento de uma mentalidade onde se reconheça as diferenças de raça, religião e gênero, e aprenda a conviver e respeitar e não apenas a tolerar. “Tanto que nossa palavra de ordem é o respeito mútuo. Nada melhor que os professores estejam aparelhados para realizar essa abordagem aos nossos alunos para os mesmos (alunos) adquirirem a cidadania plena e eles possam exercer isso na prática e nos lugares por ondes caminham”, esclareceu.

Para a assessora do DDZ 4 (Centro-Sul), Sol Oliveira, que participou do encontro, essas formações são importantes para os assessores estarem municiados de informação. Ela disse que a homofobia e intolerância religiosa ainda são práticas muito presente dentro das escolas.

“A necessidade de conhecer a vigência desta lei é muito grande. Por este motivo, travamos essa luta árdua contra o preconceito e municiar nossos educadores de todas as informações possíveis para esclarecermos as dúvidas e evitamos as intolerâncias”, descreveu.

Conheça a Lei

A Lei Federal nº 10.639/2003, sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dois artigos: 26-A e 79-B. O primeiro estabelece o ensino sobre cultura e história afro-brasileiras e especifica que o ensino deve privilegiar o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. O mesmo artigo ainda determina que tais conteúdos devem ser ministrados dentro do currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história brasileiras. Já o artigo 79-B inclui no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.

 

Texto: Auriane Carvalho

Foto: Cleomir Santos

 

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