19/07/17 | 16:15
Alunos vivenciam costumes, tradições e linguagens indígenas durante aula diferenciada

Yawaraté, yauatí, akuti, tayasú e capiwara foram alguns dos nomes de animais mamíferos em Nheengatu, que os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Francisca Campos Correia, bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, aprenderam, nesta terça-feira 19/7.

O projeto é desenvolvido pela professora e pedagoga da Secretaria Municipal de Manaus (Semed), Maria Rosemi do Nascimento, que desenvolve a tese de doutorado “O atendimento de crianças em escolas não-indígenas, considerando o componente curricular Ciências da Narureza” e foi trabalhado na escola com o tema ‘Os animais mamíferos regionais’. A doutoranda escolheu a unidade de ensino porque atende 15 alunos indígenas com o Registro Administrativo Nacional Indígena (Rani).

De acordo com Rosemi, o objetivo da aula é investigar assuntos dentro do componente curricular Ciências da Natureza, averiguando como funciona o atendimento das crianças indígenas nas escolas não indígenas. “A ideia partiu de uma vivência dentro de uma escola indígena, onde os alunos aprendiam ciências na própria natureza, utilizando as trilhas, as frutas, plantas e animais que vivem na floresta”, explicou Rosemi.

A intenção do projeto, como explicou a doutoranda, é que a criança indígena matriculada em escola não-indígena mantenha sua origem, cultura e que os outros alunos também conheçam os costumes e tradições dos povos indígenas.

Para falar mais sobre o assunto abordado, o cacique da tribo Mura, Pedro Santos do Vale, apresentou para os alunos os nomes indígenas de animais mamíferos e mostrou a diferença de viver na tribo e na cidade, visto que ele vive na zona urbana há 20 anos. “Eu nunca estudei e hoje me sinto muito feliz em passar um pouco do conhecimento que eu tenho por meio da vivência dentro da tribo, os cuidados com a plantação, com os animais e que muitas crianças indígenas não conhecem por morarem na cidade” comentou o cacique.

Durante a aula, os alunos participaram de atividades lúdicas, com histórias da vida dos animais mamíferos, montaram quebra-cabeças, desenharam, pintaram e escreveram o nome dos bichos. Para a professora da turma, Mariana de Araújo, a atividade traz uma interação na cultura e o respeito entre os alunos. “Essa interação entre os alunos indígenas e não-indígenas é muito importante para que cada um conheça e respeite a cultura do outro, esse é a idade em que o aluno está formando a personalidade e o respeito é muito importante nessa fase”, disse a professora.

A aluna indígena, Arlete Pena, 6, disse que ficou muito feliz em ter um dia de aula voltada para a cultura indígena e aprender junto com os colegas os nomes de animais em Nheengatu. “A aula foi muito legal. Eu aprendi o nome de vários animais, gostei das brincadeiras, de desenhar e mostrar para os meus colegas como é o costume do índio”.

 

Texto: Érica Marinho

Fotos: Lton Santos/ Semed

 

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