07/10/15 | 15:49
Alunos da zona rural criam aplicativo para o transporte fluvial

IMG_0134Com a proposta de informar às pessoas que utilizam o transporte fluvial em Manaus os horários, dias e locais de saída das embarcações da cidade, quatro alunos da Escola Municipal Nossa Senhora das Graças estão desenvolvendo o aplicativo (app) ‘Transporte Fluvial de Manaus’, que será disponibilizado gratuitamente para smartphones nas plataformas Android, IOS e Windows. O lançamento do app está previsto para o final de novembro.

A ideia surgiu de um problema recorrente para os alunos da unidade de ensino, que fica localizada na comunidade Jatuarana, no rio Amazonas: todas às vezes que eles vêm à cidade, a falta de informação sobre o horário e local de saída das embarcações atrasa o processo.

LS - APLICATIVO TRANSPORTE FLUVIAL (3)O projeto é desenvolvido por meio do Programa Ciência na Escola (PCE), subsidiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), que destina uma verba mensal para a manutenção das pesquisas e compra de materiais. Até o momento, mais de 200 linhas do transporte fluvial de Manaus já foram catalogadas. O aplicativo terá seis informações: nome da embarcação; destino; escalas; hora de saída; tempo de viagem e contato do dono do barco.

Um dos alunos integrantes do projeto o estudante Washington Cunha, 10, do 6º ano do Ensino Fundamental, contou que seu pai já sofreu com a falta de informação nos portos de Manaus. “Muitas pessoas viajam de barco e com esse aplicativo terão mais facilidade para saber que horas a embarcação sai, ajudando as pessoas a não perderem a viagem. O meu pai já perdeu três vezes o barco vindo do Pará para Manaus. Se tivesse esse aplicativo na época, ele não perdia”, destacou.

LS - APLICATIVO TRANSPORTE FLUVIAL (6)O coordenador do projeto, professor Ademar Lima, explicou que o app, depois de baixado, poderá ser usado de forma off-line. A medida foi planejada em virtude das pessoas no interior do Estado que têm dificuldade de acesso à internet.

“Nós procuramos essas informações na administração do Porto de Manaus e na Marinha mercante, mas como eles não as possuem, fomos a campo coletá-las. Mais de 200 mil pessoas utilizam o transporte fluvial por ano em Manaus, ou seja, é um dos meios de transporte mais importantes da cidade. Nós percebemos essa necessidade de criar esse aplicativo para facilitar a questão de mobilidade urbana”, disse, ao lembrar que 30 alunos passaram por uma seletiva para participar das pesquisas. Cada estudante recebe uma ajuda de custo de R$ 120 reais por mês.

Mostra de trabalhos

LS - APLICATIVO TRANSPORTE FLUVIAL (11)O projeto do aplicativo foi um dos 40 trabalhos apresentados na Mostra Integrada de Trabalhos Pedagógicos da Divisão Distrital Zonal (DDZ) Rural, realizada na manhã desta quarta-feira, 7, na Escola Municipal Maria Leide, localizada no km 4 da BR-174 (rodovia Manaus – Boa Vista).

De acordo com a chefe da DDZ Rural, Edilene Pinheiro, o evento é uma forma de parabenizar os principais trabalhos apresentados nas feiras de ciências das unidades de ensino. “É uma forma de o aluno se interessar mais em adquirir conhecimento, porque eles se esforçam e se esmeram nas pesquisas. É também um momento de interação deles (os alunos) e dos professores também”, afirmou.

A Escola Municipal São Judas Tadeu, que fica no km 12 na BR-174, abordou o tema gravidez na adolescência, envolvendo também a questão do sexo na adolescência, aborto e doenças sexualmente transmissíveis (DST’s).

LS - APLICATIVO TRANSPORTE FLUVIAL (7)Os visitantes, após ouvirem as explicações, participaram de um jogo de curiosidade sobre a temática. Eles jogavam um dado e o número levava a uma questão que era debatida entre a equipe.

A estudante Mariana Bezerra, 13, do 8º ano, disse que ficou surpresa com os relatos que escutou durante as pesquisas do trabalho. Ele confessou que desconhecia alguns métodos contraceptivos e informações acerca das reações do corpo após a iniciação sexual.

“Eu aprendi muito. Não conhecia essa realidade de moças que querem engravidar para terem liberdade, saírem de casa. Geralmente é o oposto, pois será uma criança cuidando de outra criança. Tem a situação financeira, psicológica da maternidade na infância. Na questão de DST’s, é surpreendente como nós vivemos desligadas dessa realidade. Na minha própria sala tem uma moça que engravidou cedo e contou a história dela. Fiquei muito surpresa com tudo”, contou.

Texto: Thiago Botelho
Fotos: Lton Santos

Assessoria de Comunicação
Secretaria Municipal de Educação (Semed)
(92) 3632-2054