12/08/19 | 14:44
Com técnica ‘Avatar’, educadores promovem inclusão no projeto ‘Aprender, Conviver e Lutar’

O pedido da mãe de uma criança com paralisia cerebral levou os professores do projeto “Aprender, Conviver e Lutar”, executado pela Prefeitura de Manaus, a desenvolverem a técnica do ‘Avatar’. Por meio do jogo do faz de conta, a iniciativa transporta os participantes para outra dimensão, com movimentos simples de jiu-jitsu criados exclusivamente para alunos com paralisia cerebral e autismo.

A ação visa fazer a diferença na vida social dos estudantes da educação especial da rede pública de ensino. Criado em 2013, o projeto, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Educação (Semed-Manaus), já atendeu mais de três mil crianças. Atualmente, conta com seis polos, com alunos da educação regular e especial. Segundo o coordenador de Educação Física da Semed, Ronnie Mello, o grande diferencial é a ação educacional.

“Utilizamos a luta como estratégia de ensino-aprendizagem. Todos que trabalham no projeto têm experiência na luta e formação acadêmica, não se pode fazer um combate solto, por isso, essas aulas são acompanhadas pela equipe pedagógica. O ‘Aprender, Conviver e Lutar’ é o nosso carro-chefe, tendo como mentor o próprio prefeito Arthur Virgílio Neto, um dos maiores incentivadores do jiu-jitsu no Amazonas, e que hoje está totalmente consolidado”, pontua Mello.

As aulas de jiu-jitsu para os alunos da educação especial são realizadas as quartas-feiras, a partir das 9h, na Escola Municipal de Educação Especial André Vidal Pessoa, zona Centro-Sul de Manaus. Atualmente, a turma conta com 30 alunos.

De acordo com o chefe da Divisão de Educação Infantil, Alexandre Romano, um dos professores do projeto, o apoio dos pais é fundamental. “Esse projeto seria inviável se não fossem as parcerias, a principal delas é a dos pais, que fazem parte do processo. Sem eles, seria impossível desenvolver esse trabalho”, comenta o professor, que também explicou detalhes da técnica ‘Avatar’.

“O projeto surgiu a partir do pedido da mãe do Samuel, um aluno da escola André Vidal que tinha paralisia cerebral e que, infelizmente, já faleceu. Quando a mãe dele nos procurou, pensamos como fazer jiu-jitsu para uma criança que não se mexia. Foi aí que desenvolvemos o ‘Avatar’, técnica que só existe em Manaus, onde o corpo do professor entra em contato com o corpo da criança e assim ela consegue se mexer, com movimentos específicos para que os alunos especiais conseguissem praticar o jiu-jitsu”, explica o Romano.

E foi assim que o tatame do ‘Aprender, Conviver e Lutar’, que já trabalhava a inclusão com turmas de autistas, passou a receber também alunos com paralisia cerebral.

“O projeto é bonito porque o tatame está sempre cheio de pessoas que querem promover o desenvolvimento social dessas crianças. Elas não terão uma melhora física porque a patologia delas é irreversível, principalmente as que têm paralisia cerebral, mas o ganho social e cognitivo é imensurável, porque elas começam a pensar, a imaginar, a ter uma vivência”, comenta Romano.

Técnica
A técnica do ‘Avatar’ trabalha o jogo simbólico e as funções executivas cerebrais. Para que as crianças obedeçam aos comandos, os professores utilizam uma rotina, toda aula inicia com a roda de música, seguida de ginástica e termina com o ‘combate’. Dessa forma, mesmo as crianças com paralisia cerebral conseguem aprender os movimentos.

Para Jussara Castro, 44, mãe de Francisco Lucas, 18, que tem paralisia cerebral e epilepsia, o projeto é muito importante para o desenvolvimento do menino. “Antes do jiu-jitsu, o Francisco era muito dependente e agora ele adquiriu várias habilidades, como sair da cadeira de rodas sozinho, algo que antes ele não conseguia fazer. Hoje ele frequenta uma academia e participa de campeonatos também, tudo graças a esse projeto maravilhoso. Meu filho ama praticar jiu-jitsu”, comentou Jussara, que é dona de casa.

Agatha Vieira, 18, tem paralisia cerebral e participa do projeto há pouco mais de um mês. A mãe dela, Alcinara Ferreira conta que a menina gosta cada vez de fazer parte do “Aprender, Conviver e Lutar”.

“Já tem um tempo que eu queria que ela participasse e, graças a Deus, conseguimos. Eu sei que ela gosta da aula de jiu-jitsu, porque no tatame ela sempre fica muito sorridente. Acho que esse projeto é uma grande oportunidade para mostrar, que apesar das dificuldades,os nossos filhos são capazes de muita coisa. Cada evolução da minha filha, por menor que seja, me faz muito feliz”, comenta.

O projeto ‘Aprender, Conviver e Lutar’ é coordenado por Ronnie Melo. As aulas da técnica ‘Avatar’ são ministradas pelos professores de educação física Alexandre Romano, Adrio Atori e Edvandro Alves e contam com o apoio dos estagiários Gabriela dos Santos e Ricari Lima.

Texto – Lorenna Serrão / Semed
Fotos – Nathalie Brasil / Semcom

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